Não resisti a reeditar este post com o comentário que este mereceu por parte da amendoamarga.
A perda da inocência
A mãe flor bem se fartou de avisar a filha florinha: Tem cuidado, tu és pura, inocente, na beleza frágil das tuas pétalas acolhes as abelhinhas, o teu pólen é dádiva generosa com que fabricam o precioso mel. Ele não, a natureza dele é outra. É áspero, violento, atordoante, viciante. Não passa de um frasco, minha filha, guarda-te.
Mas era exactamente o desconhecido dessa diferente natureza que a atraía, em imaginados sonhos em todas as insónias renovados.
Num momento de nefasta conjunção dos elementos atmosféricos, um vento de sereia trouxe-lhe o etílico aroma. Sem conseguir resistir ao apelo das linhas daquele corpo, tão geométricas e fortes, a frágil e bela florzinha, num estremecimento de todos as suas raízes, de todos os seus ramos, mergulhou nele uma corola trémula.
A princípio estranhou o sabor áspero, como diria o senhor que a regava, enquanto bebia Smirnoff, e que, por acaso, se chamava Fernando. Mas logo, sequiosa, o bebeu.
E o bebeu com tanto ardor que ele se entranhou nela. E ela nunca mais foi a mesma.
E agora, para desilusão amarga da mãe flor e espanto do senhor Fernando, a flor já não oferece apenas o seu pólen ás abelhas. Agora come as abelhas.
Oh, que surpresa!... Gostei. Estou, como direi?, assim entre o corada e o babada. Posso emoldurar e pôr lá na salinha do meu humilde T0? É para alegrar as visitas...
Jinhos virtuais.
Claro que podes amendoamarga.
Afixado por: vmar em janeiro 13, 2004 12:22 PM